O chamado.

Certo, estou falando daquele filme, da menininha no poço.

Quando o vi pela primeira vez, fiquei extremamente impressionada com a história. Quando meu vizinho ligava a televisão, eu sentia e ainda sinto as vibrações da tv – pois sou extremamente sensitiva, a um ponto que hoje até me assusto quando descobri o que tudo isso significava – eu cobria o rosto e me agarrava no namorido para não ver a menina entrando no meu quarto.

O tempo passou, muita água rolou, e eu me separei. Muita água rolou, literalmente dos meus olhos, onde eu chorava pedindo atenção, chorava porque queria colo, chorava porque queria um cafuné, e implorava para que meu namorido voltasse.

Semana passada, passou na Globo, o filme novamente, e eu assisti, sem medo, porque eu queria assistir, porque me senti atraída naquele momento pelo filme.

E o mais triste de tudo, é que eu me vi naquela menininha presa no poço, jogada por seu ente mais querido, sua mãe. Percebi que ela matava, só quando não tinha a devida atenção, queria ser ouvida: Ei, olhem pra mim, estou sofrendo, preciso de ajuda… Mamãe não me quer mais… Eu preciso de uma mamãe, eu fui rejeitada!!!

Ontem, depois de uma longa conversa que tive, me caiu uma enorme ficha, acho que a maior ficha que já poderia ter caído na minha vida – até hoje – já que nunca podemos prever o futuro, mas essa ficha, hoje, me faz me sentir mais confiante.

Infelizmente eu desde o nascimento, fui um objeto de rejeição, onde meus pais foram obrigados a se casar, assim que souberam da gravidez inesperada, ainda jovens demais. Quando eu tinha 3 anos, eles se separaram, e minha mãe perdeu a alegria de viver. Tinha crises de choro, de quebradeira, não se arrumava, e eu fui me sentindo rejeitada, pois minha presença, não valia a pena para o sorriso dela.

Aos 8/9 anos, minha mãe brigou com a companheira do meu pai, e depois disso meu pai sumiu. Não apareceu mais para me ver, apenas para contar que minha avó tinha morrido, mas isso dias depois da morte dela… Me rejeitou como filha.

6 meses antes, meu avô havia morrido, e eu não pude ir ao velório dele, pois minha mãe não queria encontrar meu pai, e ninguém poderia me levar… Eu chorei desconsoladamente, chorei por horas, soluçava, me descabelava, de dor. Perdi meu avô, meu avô, que em minhas crises de dor de garganta, era quem me cuidava, ou seja, fazia o papel do meu pai.

O tempo passou, e eu fiz 15 anos. Chorei muito neste dia, pois eu esperava uma festa prometida anos atrás por mau pai, e nem mesmo feliz aniversário ele me deu por telefone.

O tempo continuou passando, e eu fiz 17 anos. Vivia uma vida ordinária, mas na virada do ano de 2000/2001 eu resolvi mudar minha vida. Virei o ano dentro da igreja, pedindo ao Pai do Céu, que me desse um destino melhor.

Uns 15 dias depois disso, conheci o pai do meu filho. E nele, sem perceber, projetei a figura do meu pai, que cuidaria de mim, e que não me abandonaria, pois estava comigo por amor, e não por forças das circustâncias (explico: por mero acaso de nascer na mesma família).

Tivemos um filho e vivíamos uma vida estável.
Me sacrifiquei o quanto pude para manter esta vida $audável. E por isso, me estafei, e entrei em estado depressivo.

Mas a pior parte veio, quando em minha segunda crise de depressão, ele foi embora de casa.

E eu chorei, implorei, me descabelei, como a menininha que chorou pela morte de seu avô. Eu só queria ser consolada, abraçada. O homem a quem eu dediquei minha vida havia ido embora. O que seria de mim agora?

Acontece que este homem, foi pra mim, uma figura de pai, mas ao mesmo tempo era meu filho, pois eu provinha a força, o ‘vamos em frente’, provinha o sustento, e até trocava as lâmpadas. Por migalhas do que um homem pode ser para uma mulher, eu lutei e chorei e implorei e me humilhei.
Chorei como uma criança, soltei aos 4 ventos que estava sofrendo, chorando, precisando dele.

E a ficha me caiu. Essa criança, não precisa mais ter esse pai. Essa criança precisa matar esse pai em sua mente. Pois esta criança que chora, é ao mesmo tempo uma mulher adulta, auto-sustentável, tem um filho lindo, mora numa casa linda, tem um ótimo emprego, um chefe extremamente sensível, um cachorrinho super cuti cuti.

Eu não preciso mais de um pai.

Agora eu preciso – quando quiser – de um Homem. Mas com AGÁ maiúsculo. Que faça o papel do masculino em minha casa, que me acolha, e me proteja, mas como meu Homem, e não meu pai.

E assim, o choro cessou. A menininha está crescendo. E ontem, veja, ela comprou sapatos de scarpin (é assim que se escreve?) e saiu toda feliz da loja, pensando com que Homem estrearia aquele sapato.

Talvez este feriado, sentada em um piano par, bebendo um drink e não mais um simples chopp.
Degustando do poder da Mulher, do poder de Sedução que nela se acendeu. Talvez eu encontre alguém, talvez não, mas isso não importa mais.

Eu não preciso mais de um pai – o que vier, o que der, o que for possível. Eu vou escolher o meu Homem.

O Homem que entenda, que as vezes, a criança vai surgir, vai chorar, mas que vai dizer, tenha calma, nós vamos passar por tudo isso JUNTOS. Vamos viver a nossa vida JUNTOS. Vamos JUNTOS construir o nosso futuro, e não em rios separados. Vamos ser um OCEANO de plenitude.

Esse dia vai chegar, e eu não estou com a menor pressa. Quero apenas hoje, degustar dessa Mulher que floresceu.

About Paula Mariano

Hey, esta é a minha vida. Paula, mãe, nerd, e principalmente Mulher. Aparenta ser uma pessoa normal, porém, inconscientemente, às vezes, você age fora de suas razões. Talvez faça isso porque acha engraçado. Pode-se dizer que você já não é igual aos demais seres normais.
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